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E quem o alheio veste, na praça o despe! São Paulo, pobre cidade... PDF Imprimir E-mail
Articulistas - Angela Caruso
23-Mar-2011

 

Foto: Regina Macedo
Foto: Regina Macedo
Despudoradamente despida. Insanamente conduzida.

São Paulo, minha cidade, não estou suportando vê-la abandonada, feia, tensa, estranha... (des) governada à revelia.

Revelada sem direção, delinquente,  travestida de reivindicações, fingindo comprometimento e convivendo com uma tirânica liberdade.

Basta olhar-Te, minha querida,  reprimida de desejos e impulsos, sufocada, vadiando...

E é assim que nasce de Você um sentimento de orfandande que não mais é superado por discursos repetitivos e cínicos. Nada mais pode justificar esta angustiante cegueira, creio eu, permitida por nossa incompetência em algum momento. Incompetência que pesa sobre nossos ombros...

Sabe como me sinto? Do tamanho de um botão. Em meio ao lixo, crack,  assassinatos, veículos, toneladas de gases poluentes, violência, enchentes, pichação, pivetes, concentração de pobreza. Desmandos.

Megacidade, Você está doente, e à mercê da ineficácia dos Teus serviços públicos que se arrastam e cambaleiam como bêbados crônicos à caminho da morte.

Feia. Mesmo quando tentam customizá-la. O Teu “crescimento” atinge índices incontroláveis e desrespeitosos, cujo principal impacto ocorre sobre a Tua infra-estrutura viária, transportes,  saneamento,  oferta de energia elétrica,  água,  alimentação,  lazer,  saúde e educação, entre outras que  claramente entrou em colapso e parece não encontrar caminhos de soluções.

Planejamento? Que ironia, cidade minha! O que vimos é a conveniência dos interesses particulares, livres de regras, normas e diretrizes para ocupar o Teu solo – desnudo - de interesse ambiental, social, moral.

Agonizam as Tuas árvores encoleiradas por concreto, cujas raízes, pobrezinhas, já estão podres, quase mortas, e acredite, ainda são avaliadas como sãs, igualmente ao atendimento médico da Tua saúde pública.

Rodoanel sul, norte, piscinões, “condomínios populares”, perda dos mananciais...

É só o que se vê. O avanço das máquinas e caminhões de concreto nas raras e indecorosamente cobiçadas áreas, onde as árvores, espelhos d’água, nascentes, animais insistem em sobreviver. Metros quadrados vergonhosamente “negociados” por milionários empreendedores - amigos dos executores - não dos fiscalizadores.

A isto, São Paulo, chamam de “modelo de desenvolvimento”. Eu chamo de incorrigível descompasso!

É impressionante e chega a ser ininteligível o fato de que depois de tantos PREFEITOS que Te ambicionaram, cortejaram o Teu povo sem rosto e em seguida Te desmereceram não sofram duras punições.

Embora compulsória e obrigatoriamente somos cúmplices das ofensas que Te molestam, no entanto, eu juro, de verdade, que o que mais quero é não vê-la chegar aos trapos.

Aceite, amada São Paulo, a minha vergonha!


Angela Caruso
São Paulo, 23/03/2011

 
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