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Infelizmente vivemos no Bananão PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Erico Mabellini   
11-Set-2008
O país que apóia e recebe os dejetos do "primeiro mundo" e aceita imposições de seus pares.
Da Lei Arouca a outras incompetências

Para os que são um pouco mais antigos e já passaram dos 40 o Brasil nos remete a um filme de 1960, dirigido por Mauro Bolognini e estrelado por Marcello Mastroianni e Claudia Cardinale. Em "O Belo Antonio", com um roteiro inteligente baseado no romance de Vitaliano Brancati (e que paradoxalmente hoje poderia ser considerado "politicamente incorreto" por ter como enredo as deficiências fisicas ou psicológicas de alguém). As mulheres se apaixonam pelo belo e vistoso Antonio, porque imaginam que ele seja o "amante ideal", mas na realidade ele é impotente.

Podemos fazer então uma analogia com o Brasil de hoje, que infelizmente já começa a ganhar o apelido entre seus pares sul americanos de "Bananão".
Por que "Bananão" e por que fazer uma analogia com um filme italiano de 1960. Porque o Brasil não age, o Brasil está sempre na contramão da história, o Brasil é, infelizmente, o "Belo Antonio" da América Latina, "quiçá" do mundo. Com sua imensidão geográfica e riquezas naturais que fazem brilhar aos olhos dos que estão acima da linha do Equador, o Brasil não toma atitudes de um grande país, ele simplesmente aceita e concede o que outros lhe impõem. E dessa forma dificilmente irá crescer e frutificar, vai apenas aderir aos interesses dos mais fortes ou dos mais audaciosos.
Com a aprovação e ratificação da Lei Arouca - PLC 93/08 -, que cria o Conselho Nacional de Experimentação Animal (Concea) e que irá credenciar instituições interessadas na criação e utilização de animais para fins científicos e que também formulará normas para o uso dos animais, o uso de animais voltará às atividades de ensino nos estabelecimentos de ensino técnico de nível médio da área biomédica e permanecerá nos de ensino superior. O uso em pesquisas será permitido nas atividades relacionadas à ciência básica, ciência aplicada, desenvolvimento tecnológico e produção e controle da qualidade de drogas, medicamentos, alimentos, imunobiológicos e instrumentos. A proposta, que agora vai à sanção, foi apresentada em 1995, pelo então deputado federal Sérgio Arouca.

Caso o Projeto de Lei seja sancionado, isso significa que:
a indústria da experimentação animal, que sofre grande pressão no exterior e por isso precisava de suporte no legislativo para poder realizar as suas atividades no terceiro mundo encontrou esse suporte no Brasil. E o Brasil, mais uma vez está abrindo as portas para receber o lixo que outros países não querem mais abrigar em seus quintais.

E isso é o Brasil, que "deitado eternamente em berço esplêndido", permite que se faça aqui o que já foi proibido ou que sofre grande pressão contrária em outros países. O Brasil é o local aonde os cientistas ao invés de se preocuparem em descobrir métodos alternativos para o não uso de animais em suas experiências, preocupam-se com a sua impotência para a pesquisa e, dessa forma, aceitam e festejam todas as "idéias lixo" (e consequente aporte financeiro) que são impingidas pela industria farmacêutica internacional. Para os bons entendedores é a forma mais rápida com que os "Belos Antonios" do mundo cientifico e politico ganham em potência financeira o que não mais conseguem da forma tradicional.

E os animais? Ora, para os cientistas e políticos que ainda vivem no século XVII os animais são apenas máquinas que quando gemem de dor e desespero reproduzem o som de uma engrenagem sem lubrificação.

Erico Mabellini - editor e fundador da ONG Tribuna Animal
 
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