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A dor de quem perdeu animais de estimação no mar de lama PDF Imprimir E-mail
Noticias - ANIMAIS - BRASIL
15-Nov-2015
 
Em meio ao luto de quem viu a lama levar seus bichos de estimação, voluntários resgatam dezenas de animais que sobreviveram ao rompimento das barragens em Mariana


Parte dos animais resgatados após a tragédia em Mariana está sendo levada para um galpão adaptado


NATHÁLIA LACERDA
"Quando eu fui atrás da Mel, vi que a lama já tinha encoberto toda a casinha dela. Ela já tinha sido soterrada e eu não pude fazer nada", disse emocionada Eliana Mendes, 42, sobre a cadelinha poodle de estimação que não pôde ser salva por ela quando o mar de lama das barragens da Samarco invadiu o subdistrito de Bento Rodrigues, na região Central de Minas, no último dia 5.
 
Além de Mel, outros cinco cães também ficaram para trás. Os vira-latas Balu, Pretinho,  Totó e Menusa, no entanto, estavam soltos no quintal e, por isso, Eliana ainda tem esperanças de encontrá-los com vida. O menorzinho, Pit, de 4 meses, segundo ela, não deve ter se salvado. "Eu gostaria de encontrar vivo pelo menos um, para tentar me acalmar. As coisas que a gente perdeu, isso a gente recupera. Mas os bichos, não. E eles são parte da família",  lamentou a mulher que alimentava os animais minutos antes do desastre. Ela também criava 35 galinhas, quatro gatos, um casal de  porcos, três gansos e três cavalos - dois deles foram resgatados pelo marido que decidiu por conta própria ir em busca de notícias.
 
No momento em que soube que as barragens tinham se rompido, Aline Alves, 19, só pensou em pegar a irmã caçula de 9 anos pelos braços e correr. Dez dias após o ocorrido, o único celular da família guarda as fotografias que servem como recordação dos três gatos e do cachorro Pitoco. "Minha irmã pediu pra minha mãe não lembrá-la do Pitoco para não chorar. Toda vez que a gente chegava em casa, ele corria para nos receber", contou a estudante que torce para que, de alguma forma, os bichos estejam bem.
 
Lobinho, por exemplo, não parava de latir e abanar o rabo quando reconheceu os donos que foram visitá-lo em um canil improvisado por voluntários que, desde semana passada, se empenham no resgate dos animais deixados nas regiões atingidas pela onda de rejeitos. O cachorro foi encontrado em Paracatu de Cima e em breve será levado para casa da mãe do operador de equipamentos Joel Tavares, 38. "Um vizinho nosso nos disse que ele estava aqui. Lobinho é o companheiro inseparável da minha mãe", disse.
 
O reencontro só foi possível graças ao trabalho de salvamento de uma equipe de veterinários e bombeiros civis da Associação Ouropretana de Proteção Aninal (Aopa), entre outros voluntários vindos de diversas partes do país.
 
"As buscas pelos animais começam às 8h e não têm hora para acabar. Normalmente, os bichos chegam aqui muito traumatizados, tremendo e com fome", explicou a veterinária Analiz Bastos, membro da Aopa. Segundo ela, pelo menos cem aves, 75 cães, sete cavalos e dez gatos foram levados para o abrigo. Uma equipe de mais de cem pessoas, entre veterinários, estudantes de veterinária, biólogos e amantes dos bichos, se reveza nas atividades de socorro e atendimento.
 
O local improvisado, alugado pela Samarco, conta com 35 baias, um hospital-tenda, além de espaço para armazenamento de rações e medicamentos doadas por pessoas e empresas privadas do ramo animal.
 
Os amigos Bruno Sartori, 27, Marcela Penna, 22, Rebeca Pacheco, 26, e Lucas Novaes, 27, trouxeram de Belo Horizonte 850 kg de ração e medicamentos que foram arrecadados ao longo da semana. "Somos apaixonados por animais. Precisávamos ajudar", disse Sartori. O grupo pretende retornar à Mariana para novas entregas.
 
Alerta contra fraude

Voluntários envolvidos no resgate dos animais estão preocupados apenas com uma questão. Segundo Adriana Araújo, do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais, pessoas mal-intencionadas estão criando perfis falsos no Facebook e em sites de crowdfunding para arrecadar dinheiro que seria usado em favor dos animais. No entanto, nenhuma quantia foi repassada aos organizadores até então. "Tem gente de má-fé se aproveitando do amor das pessoas para lucrar. Somente o Fórum de Defesa e Proteção Animal e o nosso grupo estão recebendo doações. E tudo o que for arrecado terá prestação de contas em nossas páginas na internet e rede sociais", alertou a voluntária.
 
 

 
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