Descumprimento da posse responsável e falta de estrutura para controle do registro de cães e gatos no CCZ atrapalham
Bruna Dias
Em redes sociais, blogs, sites, jornais... Nestes espaços, todos os dias são divulgadas imagens e notícias de cães e gatos que se perdem e são encontrados nas ruas. Para facilitar o reencontro entre os proprietários e seus animais de estimação, desde 2007 (leia mais abaixo) o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru possui um cadastro. No entanto, a falta de contato entre o dono do animal e o CCZ, além da estrutura do órgão, são entraves neste processo.
Era uma tarde comum em Bauru quando uma jovem de 20 anos encontrou uma cadelinha sem raça definida com uma corda amarrada ao pescoço, na Vila Aviação. Um detalhe a diferenciava dos demais cães de rua: a coleira com um número de identificação do CCZ.
Sem titubear, ela acolheu a cadela e a levou para casa. Chegando lá, acionou o órgão público, conforme conta seu pai, um homem de 44 anos (as identidades foram mantidas em sigilo a pedido deles).
“A cadelinha estava suja e cheia de pulgas. Nós demos banho nela, comida, água. Em seguida ligamos para o CCZ explicando o que tinha acontecido, porque ela tinha uma identificação de lá na coleira. Eles ficaram de achar o dono. Passaram alguns dias e não deram retorno, então, liguei lá novamente e veio um funcionário do CCZ aqui querendo levar ela. Perguntei a ele: Querem levar ela por que? Já acharam o dono? Ele disse: ‘A gente ainda não localizou, mas vamos deixar lá e se não localizar colocamos ela na fila de adoção’. Então eu não quero que leve ela”, disse o denunciante.
O cadastroOutras críticas semelhantes chegaram ao JC também através de e-mail, portanto, o CCZ foi acionado pela reportagem. Ciente do assunto, o técnico de controle ambiental do órgão, Dorival Tessari, explicou que não pode fornecer o contato do proprietário do animal a ninguém.
“O procedimento do CCZ é recolher o animal e depois procurar o seu dono. Recebemos muitas denúncias diárias de pessoas que encontraram animais com a identificação do CCZ e querem devolvê-lo ao dono, mas não sabemos quem está do outro lado da linha. A nossa obrigação é procurar o verdadeiro dono”, explica.
Quando alguém liga ao CCZ informando que encontrou um cão ou gato com coleira de identificação do órgão, a primeira ação é a recolha do animal. “A pessoa que encontrou deve entregar o animal ao nosso fiscal, que o trará para o CCZ. A primeira tentativa de contato com o dono é pelo telefone. Se não conseguirmos, um funcionário vai até o endereço informado na ficha. Caso o dono não apareça, o animal é encaminhado para adoção”, acrescentou.
DesencontroNa realidade, uma falha no controle destes registros aliada à falta de preocupação destes proprietários em manter as informações atualizadas junto ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) acaba gerando um grande desencontro.
O técnico de controle ambiental do CCZ, Dorival Tessari, esclarece que no momento do cadastro dos cães e gatos o proprietário é orientado a manter o cadastro em dia, e também sobre a posse responsável deste animal.
“Quando encontramos o dono do animal que estava perdido, emitimos a ele um auto de infração que não é uma multa, apenas um documento de alerta que dá 15 dias para ele justificar ao CCZ porquê este animal estava na rua”.
Com poucos funcionários, o centro também não possui um profissional para cuidar especificamente da atualização destes cadastros. Sem a consciência dos donos e sem a estrutura ideal no CCZ, a ideia do cadastro fica cheia de “lacunas”, e encontrar o proprietário do animal perdido acaba se tornando mais difícil.
Posse responsávelOutro problema apontado por Dorival Tessari, técnico do CCZ, é que os donos não avisam ao órgão que o cão ou gato cadastrado morreu, por exemplo, e chegam até a usar a mesma coleira em outros animais.
“Já recebi aqui muitos animais que, quando fui checar o cadastro, a cor não era a mesma, a raça, o sexo. As pessoas não se atentam e acabam usando a mesma coleira em outro animal só pelo motivo de, se ele se perder e for encontrado, tenha a identificação no CCZ”, apontou.
Ainda tratando de posse responsável, o técnico de controle ambiental alerta: quem encontrar um animal com identificação do CCZ, deve entregá-lo ao órgão. “Se a pessoa não trouxer aqui, nós vamos buscar. O fiscal é autoridade sanitária e, se a pessoa se recusar a entregar o animal, ele retorna e avisa o seu superior, que procurará a Polícia Civil. Se tem proprietário, a pessoa tem que devolver”, finaliza.
Como cadastrar?Para fazer o cadastramento de cães e gatos, o dono deve comparecer ao CCZ levando o animal e munido de RG, CPF e comprovante de residência. O cadastro é gratuito e o proprietário assina um termo. O animal recebe, também gratuitamente, uma coleira com uma pequena placa de identificação. O CCZ já cadastrou 13.755 cães e 3.824 gatos. Cerca de 90% dos animais perdidos que possuem registro encontram seus lares novamente, diz o órgão.