Levantamento da Sucen confirma informação; trabalho da Prefeitura foi criticado por especialistas
Bruna Mozer
A limpeza realizada no Lago do Café, no Taquaral, não foi suficiente para acabar com os carrapatos e eliminar os riscos de contaminação da febre maculosa. Levantamento feito pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) identificou no local este mês 47 carrapatos-estrela, seis ninfas (em fase de crescimento) e um carrapato. Eles foram encontrados nos 330 mil metros quadrados do parque.
A capinação e a poda de árvores foram encerradas pela Prefeitura no final de janeiro. O local está fechado ao público e inutilizado desde 2008, depois que um funcionário morreu vítima da febre maculosa, doença transmitida pelo carrapato-estrela. Um outro funcionário morreu em 2010.
Há um ano, 14 capivaras que estavam confinadas em uma área de 2,5 mil m² dentro do parque foram sacrificadas para eliminar os riscos de contaminação. Os roedores são os principais hospedeiros dos carrapatos-estrela.
O método de limpeza adotado pela Prefeitura no ano passado foi criticado por especialistas. A Administração decidiu não aplicar produtos químicos, como inseticidas, para auxiliar na eliminação dos carrapatos.
No processo, a Secretaria de Serviços Públicos fez a capinação, roça do mato e árvores e enterrou em valas abertas dentro do próprio parque. A Coordenadoria de Vigilância Sanitária de Campinas (Covisa) informou, por meio de assessoria de imprensa, que não se posicionaria sobre o assunto antes de finalizar uma inspeção na área. Também não quis informar quais ações serão adotadas para que o Lago do Café seja descontaminado.
A Sucen, órgão do governo do Estado de São Paulo, é o responsável por fazer a contagem de carrapatos dentro do parque. Em janeiro, mês em que a limpeza foi finalizada, o Sucen identificou 64 carrapatos-estrela em fase adulta. Em fevereiro, o número chegou a 47 carrapatos-estrela; mais seis ninfas e um carrapato.
Levantamento feito pela Sucen no período de julho de 2009 e janeiro de 2011 identificou uma média de 3,3 mil carrapatos por mês dentro do parque, número bem acima do que foi identificado agora.
A Secretaria de Serviços Públicos, responsável pela limpeza do Lago do Café, não avaliou os números divulgados pela Sucen. Por meio da assessoria de imprensa, a pasta informou apenas que não estava dentro do cronograma da operação abrir o parque neste ano e, por isso, a identificação dos carrapatos não altera o processo de limpeza.
No ano passado, ainda na gestão do prefeito cassado Demétrio Vilagra (PT), o governo anunciou que a previsão era que o parque fosse aberto até o final deste ano. Depois, a previsão foi prorrogada para o final de abril. Na época, a Prefeitura decidiu não usar produtos químicos por considerar que isso poderia causar danos à fauna e flora do parque.
Insuficiente O professor Wilson Mattos, do departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), órgão ligado à USP em Piracicaba, mantém a avaliação de que somente a retirada de terra não é suficiente para acabar com a contaminação. Ele também defende a eliminação do excesso de vegetação, permitindo a entrada de luz solar, ao qual o carrapato é vulnerável.
“Nossa experiência aqui (na Esalq) é de que sem a pulverização de produto químico dificilmente haverá bons resultados”, afirmou o especialista. De acordo com o professor, há produtos adequados para não causar danos ao meio ambiente e aos animais.
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