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Com a morte de Izabel Nascimento, direção da Suipa ainda estuda quem vai assumir a ONG PDF Imprimir E-mail
Noticias - ANIMAIS - BRASIL
08-Ago-2016
 
A arquiteta Silvia Rocha, de 50 anos, assume interinamente a presidência


Com a morte da presidente da Suipa, Izabel Cristina Nascimento, na sexta-feira passada, a direção fará reunião para decidir quem assumirá a função - Freelancer / Agência O Globo
 
POR SIMONE CANDIDA
RIO — Por 27 anos, Izabel Nascimento foi a voz e o nome da Suipa. Tanto que em muitas ocasiões costumava identificar-se ao telefone, ou assinar bilhetes e emails, como “Bebel da Suipa”. Por isso, quando a notícia de sua morte chegou aos ouvidos dos funcionários, dos administradores e dos mais de 6 mil associados que ajudam a manter ONG de proteção animal todos fizeram a mesma pergunta: e agora, qual o futuro da instituição? Enquanto a diretoria não se reúne para decidir se convoca novas eleições ou se algum dos membros assume a função de presidente, a arquiteta Silvia Rocha, vice-diretora social da Suipa e voluntária há mais de 20 anos, estará à frente dos trabalhos interinamente. De acordo com Silvia, todos da Suipa estão muito abalados, mas o momento é de união:

— A Suipa não está ao léu. A morte da Izabel foi um choque e deixou todos nós muito abalados. Mas é importante deixar claro que todos continuam trabalhando e os animais não vão ficar desamparados. Vai ser difícil encontrar alguém como a Izabel, ela era incansável e se dedicava 100%. Mas os animais da Suipa não vão ficar sozinhos. O momento é de unirmos forças — disse Silvia, explicando que na próxima quarta-feira irá acontecer um reunião com supervisores, conselheiros e com advogados da Suipa, quando serão decidido os próximos passos.

Com uma dívida tributária federal que ultrapassa R$ 18 milhões, e déficit mensal de cerca de R$ 70 mil, a Suipa convive com dificuldades. Instalada num terreno da Avenida Dom Hélder Câmara, em Benfica, a instituição perdeu, no começo dos anos 90, durante os governos Collor e Itamar, os títulos de utilidade pública federal e de filantropia. Com isso, começou a haver cobranças de impostos, incluindo o INSS patronal. Atualmente, 150 funcionários, entre eles 40 veterinários, trabalham no abrigo. Segundo Paulo Rodrigues, administrador da Suipa, na última contagem, feita há 8 meses, havia 4.300 animais abrigados, entre cães, gatos, cavalos e porcos.

Na avaliação de Paulo, os graves problemas financeiros podem ter levado Izabel à morte.

— Ela era forte, mas lutava contra estas dificuldades. A instituição está com muitas dívidas, temos muitas despesas. Só de ração para cães gastamos 40 toneladas por mês. Izabel era uma guerreira, mas na semana passada recebeu mais uma notificação de penhora on line que deixou ela chateada. Acho que foi por isso que ela passou mal — comentou Paulo Rodrigues.

Apesar das muitas dificuldades financeiras da instituição, Izabel não negava atendimento a nenhum animal ferido. No ambulatório que é mantido na sede da Suipa, no Jacarezinho, não foram poucas as vezes em que ela atendeu animais de moradores da favela sem cobrar consulta.

No mês de junho, a instituição teve duas ambulâncias roubadas. Só uma delas foi recuperada mas, por ter sofrido muitas avarias, está na oficina mecânica. Mesmo sem transporte, Izabel não deixou de fazer resgates de animais em vias públicas. No dia 13 de junho, funcionários foram buscar de ônibus uma cadelinha atropelada, que aguardava socorro desde as 6h numa rua do bairro do Colubandê, em São Gonçalo.

Os funcionários e amigos colecionam historias da luta de Izabel pelo bem estar animal. A arquiteta Silvia Rocha lembra da madrugada em que foi acorda por ela.

— Ela queria abrigar dois macacos rhesus usados em experiências, mas a UFF só liberaria para a Suipa se tivéssemos um local apropriado para eles. Ela me ligou, daquele jeito desesperado que ela tinha quando o assunto era uma vida animal, e disse: preciso de sua ajuda para fazer um projeto para a jaula deles, eles dependem de você! — recorda Silvia Rocha, que fez este e a maioria dos projetos de arquitetura da Suipa nos últimos anos.

Apesar da superlotação, Izabel sempre fez questão de manter o alto padrão na hora de decidir quem podia e quem não podia sair das instalações de Benfica com um animal de estimação.

— Apenas cerca de 1% dos animais que chegam à Suipa é adotado. Ouço todos os dias dizerem que querem adotar gatos para matar ratos. Digo para ligarem para a dedetização. Se alguém quer um cachorro para tomar conta do quintal, peço que contrate um segurança. Só quem tem dinheiro, tempo e disposição para alimentar um animal e dividir a vida com ele pode adotar. Senão os bichos terminam abandonados de novo. — contou a presidente ao Globo em uma de suas entrevistas.

Mesmo enfrentando todo tipo de adversidade, a presidente não dava sinais de que iria abandonar sua vocação de protetora.

— Até que o último animal da Suipa tenha vida, estarei lutando. Se vierem fechar nossa sede, sou capaz de soltar todos os cachorros na Praia de Copacabana antes que os sacrifiquem — disse ela no auge de uma das crises financeiras.
 
 
 

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  Izabel Cristina tinha em seu sítio cerca de cinco mil animais. Presidente da Suipa sofreu um infarto fulminante. Do G1 Rio A presidente da Sociedade União Internacional Proteto
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