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Jundiaí (SP) vira um centro de referência de felinos silvestres e promove campanhas por conservação PDF Imprimir E-mail
Noticias - ANIMAIS - BRASIL
18-Set-2011
José Arnaldo de Oliveira - Agência BOM DIA
Um filhote de onça parda (Puma concolor) tenta se enroscar na calça do fotógrafo, quase como um gato qualquer. Ao lado, outro filhote de gato do mato (Leopardus tigrinus) observa a cena com um ar curioso. Mas a beleza dessas criaturas carrega o peso de não mais cumprirem seu destino na natureza.

“A categoria dos felinos é o topo da cadeia alimentar, controlando os outros animais e regulando a saúde do ambiente”, explica o biólogo Jairo Pereira. O primeiro filhote foi encontrado durante a queimada de um canavial em Ituverava, região de Ribeirão Preto, enquanto o segundo também surgiu depois de uma queimada em Jarinu, cidade vizinha a Jundiaí. Sem a família, não poderão aprender a viver novamente no ambiente  silvestre. “É por esse motivo que sempre alertamos sobre a conservação das condições mínimas dos ambientes onde os animais possam continuar se desenvolvendo”, comenta Cristina Adami, coordenadora da ONG Mata Ciliar.

O trabalho da entidade continua sendo uma referência em diversas áreas, mas especialmente no caso específico dos felinos silvestres. Há uma semana, Jairo orientou um curso sobre o tema que atraiu participantes de São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Na próxima quarta-feira, é a vez de um grupo de 20 técnicos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, incluindo agentes da Polícia Ambiental, ouvirem seus relatos.

Enxugar gelo

A equipe de técnicos e voluntários não admite diretamente, mas o conflito entre o ser humano e a natureza ainda é muito acirrado na região. A cada dia chegam ao local de 4 a 5 animais de várias espécies de mamíferos e aves, a maioria atingida por acidentes como os choques elétricos  usados na segurança (ou na distribuição normal de energia).

Muitas vezes os veterinários agem como em uma versão paralela do IML (Instituto Médico Legal), fazendo a biópsia para verificar causas. Algumas aves exibem indícios de automutilação gerada pelo estresse de cativeiros forçados. Mas sucessos como a recente soltura do macho adulto de onça pintada (Panthera onca), apelidada de onça Anhanguera,  animam os trabalhos. A radiotelemetria, usada em seu monitoramento depois de libertada na região, mostra que continua vivendo normalmente. “Foi um caso raro de readaptação orientada em cativeiro”, diz Cristina.

Embora surpreendente, a experiência não pode ser replicada no caso dos filhotes. A bióloga Larissa Lopes, 24, conta que os dois felinos citados no início são cuidados com mamadeiras em períodos regulares e são dóceis como bebês de espécies que podem viver por até 20 anos.  Não é possível saber se os pais de ambos sobreviveram às queimadas onde ficaram perdidos.

Para Jairo, o manejo em cativeiro é uma medida extrema porque o lugar dos animais silvestres é em seu ambiente natural. “As pessoas precisam entender cada vez mais que cuidar de bichos não é dar água e comida, mas garantir sua liberdade”, diz. A preocupação pode ser estendida para todas as espécies de aves, mamíferos, répteis, anfíbios e peixes de cada cidade ou região. Além, claro, de árvores e plantas nativas.

“Mas nossos cursos também servem para lembrar que são animais silvestres, portanto é preciso ter cuidado com seu manejo. Há os equipamentos e técnicas para não se expor ao perigo”, adverte aos novos ambientalistas. Para Cristina, o convênio feito pelo prefeito Miguel Haddad (PSDB) e o veículo de resgate de emenda do deputado Pedro Bigardi (PCdoB) mostra que o tema hoje é suprapartidário. “Felizmente”, diz.

Silvestre deve ser retirado de casa, diz a líder de campanha

Para Vânia Plaza Nunes, do Grupo de Valorização da Vida Animal, os animais silvestres de outros países não devem ser transformados em animais domésticos no Brasil. “Precisamos desfrutar de nossos próprios bichos, livres em seu ambiente. É isso que temos que procurar aproveitar”, afirma.

Acumulando o cargo de diretora do Jardim Botânico, pela prefeitura, ela prepara folhetos sobre a observação de aves  com a orientação sobre binóculos, fotos e identificação que é estimulada por movimentos como o Grupo de Observadores de Aves de Jundiaí. Há poucos meses, ela ficou mais conhecida pelo trabalho com a campanha “Silvestre Não é Pet” e gostou do retorno da comunidade sobre o assunto.  O princípio básico é que os animais não podem ser tratados como coisas de consumo, mas criaturas com necessidades de existência. “Esse tipo de abordagem está entrando na educação ambiental das escolas e no trabalho da coordenadoria de bem-estar animal. Mas ainda precisamos ampliar essa compreensão”, diz.

Do lado institucional, ela vai participar em novembro da 20ª Reunião da RJBB (Rede de Jardins Botânicos Brasileiros) na cidade mineira de Inhotim, onde uma agenda inspirada na futura Rio + 20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), em 2012, vai envolver educação, coleções de plantas, sistemas de informação e programas de apoio.

“Tanto jardins como criadouros não podem ser vistos como  o centro da conservação. O bicho feliz é na natureza e ponto final. Ainda existem pessoas que tentam apontar o cativeiro como o único meio de conservar no futuro. Isso não é verdade”, afirma.

Cidade discute usos dos seus ambientes

As consultas públicas sobre a revisão do Plano Diretor de Jundiaí, que orienta o uso ou proteção de seu território, voltam amanhã às 19h na escola Ivo de Bona, no Residencial Almerinda Chaves.  Na quarta, às 19h, será na Câmara Municipal.  Na quinta, às 19h, segue para o salão paroquial do bairro da Toca.  É uma oportunidade  de o jundiaiense ajudar a pensar o futuro que quer para a cidade.
http://www.redebomdia.com.br/noticias/dia-a-dia/67895/cidade+vira+um+centro+de+referencia+de+felinos+silvestres+e+promove+campanhas+por+conservacao+%93in+situ%94

 
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