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Leão Juba esboça majestade em Jundiaí PDF Imprimir E-mail
Noticias - ANIMAIS - BRASIL
21-Jul-2012
 
Comendo mais de cinco quilos de carne por dia, o fragilizado animal volta a rugir depois de trinta dias

JOSÉ ARNALDO DE OLIVEIRA
O rugido diante da aproximação das pessoas mostra que a saúde voltou para o leão Juba depois de um mês em seu novo lar em Jundiaí. Até mesmo as manchas da face começam a diminuir e dar espaço ao crescimento de pelos. “A suspeita inicial era de algum tumor causado pela insolação exagerada. Mas a hipótese mais provável é de que seja apenas uma fase de imunidade baixa. Vamos esperar mais um pouco antes de dar uma anestesia geral e coleta para exame”, explica a veterinária de animais silvestres Renata Menezes, 27 anos, da ONG Mata Ciliar.

Comendo em torno de 40 kg de carne por semana, principalmente músculo bovino, Juba sofreu muito em zoológicos falidos no Rio de Janeiro e em Fortaleza  antes de chegar em Jundiaí a bordo de uma campanha virtual feita pela tecnóloga Célia Frattini em redes sociais na internet, que arrecadou cerca de R$ 44 mil para o transporte do Ceará e a construção de seu viveiro.

Convivência
“Ele tem a parte coberta com aquecedor, agora no inverno, e uma parte aberta. No começo ele não me ouvia, me assustava com o rugido. Um dia, rugi para ele também e ficamos mais amigos”, brinca  a técnica agropecuária Ana Lúcia Kruger, que trabalha com o animal.

Com um tempo de vida estimado em 18 anos, Juba é praticamente um idoso, provavalmente nasceu em cativeiro e deve continuar abrigado até o fim da vida.

Para os envolvidos no seu tratamento em Jundiaí, no entanto, ele é um alerta para medidas de precaução que devem ser tomadas caso a proibição de animais em circos, por exemplo, seja adotada em todo o país (atualmente é parcial, como no Estado de São Paulo) e possa resultar no abandono de muitos desses animais. “Além disso é uma oportunidade única de ver de perto o comportamento, que é a melhor maneira de conhecer os animais”, frisa Renata.

Olhos e garras
A mudança do eterno verão do Ceará para a temporada de inverno na beira da Serra do Japi parece ter sido absorvida pelo leão com as medidas preventivas tomadas pela entidade. As áreas carecas que apareciam em algumas partes do corpo estão sendo tomadas por novos pelos, as man chas no rosto diminuíram e as garras já foram agitadas contra a tela de arame diante de algum curioso mais barulhento.

Parece exagero, mas a pose do grande felino de origem africana sugere a imagem de um guerreiro descansando depois de muitas lutas pela vida. Em algum lugar oculto ele parece guardar o posto que é reconhecido por cientistas e populares, como rei de uma determinada selva ou como o ponto mais elevado de uma cadeia alimentar da natureza. De súbito, olha de lado em direção ao observador e solta outro rugido, pedindo paz à espécie humana.

Leão reforça estudos do Centro Jaguaretê

Depois de ter participado da reprodução da primeira jaguatirica “de proveta” no Brasil, em 2006, a ONG Mata Ciliar tem uma nova frente na luta pela defesa dos felinos silvestres com o Centro Jaguaretê.

O trabalho liderado por Cristina Adamia visa multiplicar os recursos para esses animais que indicam a saúde do meio ambiente ao estarem no alto da cadeia alimentar que começa nas plantas e no solo. “A biologia dos felinos mostra como é fundamental ter as áreas verdes para que continuem nos biomas”, explica Renata Menezes.

É claro que Juba, um leão de origem africana, não faz parte dos ecossistemas da América do Sul, do Brasil ou de Jundiaí (que é parte da mata atlântica). Mas seu comportamento pode ser comparado com outros “hóspedes”  da entidade.

A variedade de onças mais ameaçadas, a pintada, está ausente. Mas ali estão  a onça parda (ou suçuarana), o gato mourisco e a jaguatirica. Além do foco em felinos, o centro de recuperação de animais silvestres recebe de tudo um pouco, mostrando que a ação humana  ameaça demais outras vidas.

Eles mostram sinais de estresse com a aproximação de pessoas, um sinal de alerta instintivo. “As pessoas buscam cada vez mais morar perto da natureza, mas é preciso achar o equilíbrio”, diz a veterinária.

Continua a campanha
A frase “comendo como um leão” não existe à toa. Para ajudar a manter Juba bem alimentado, procure a opção de adoção virtual no site www.matacilitar.org.br  ou em “leão simba também precisa de você” na rede social Facebook. O nome foi dado antes mesmo do seu batismo.

200 kg pesa o animal

Responsabilidade

A vinda teve apoio de Tetra Pak, TAM, AutoBAn e Vetnil.
 
 
 

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