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Viagem de peixes-boi de Pernambuco para ilha do Caribe é adiada PDF Imprimir E-mail
Noticias - ANIMAIS - BRASIL
13-Abr-2015
 
Cinco animais devem ser emprestados para repovoar Antilhas Francesas.
Decisão é questionada por pesquisadores de entidades nacionais.

Do G1 PE

Bichos são mantidos no Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA), situado na Ilha de Itamaracá, Grande Recife (Foto: Luna Markman/G1)

Foi adiada a viagem de três dos cinco peixes-boi do Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA) situado na Ilha de Itamaracá, na Região Metropolitana do Recife, que vão ser transferidos para o Parque Nacional de Guadalupe, nas Antilhas Francesas, território ultramarino da França no Caribe. Prevista para a terça (14), a transferência dos animais foi suspensa, conforme informou, nesta segunda-feira (13), a administração do Aeroporto Internacional dos Guararapes, na Zona Sul do Recife.

De acordo com nota enviada pela comunicação do aeroporto, a suspensão foi feita pelo próprio insittuto "em função de mudanças na operação de embarque dos peixes-boi-marinhos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio". Os animais estão sendo emprestados pelo governo brasileiro para auxiliar no repovoamento do conjunto de ilhas da América Central, onde a espécie está extinta há um século.

Procurado pela reportagem do G1, o ICMBio enviou nota oficial no fim da tarde, explicando que "como alguns itens previstos no protocolo ainda estão pendentes, o ICMBio decidiu adiar o transporte dos peixes-bois até que todos os requisitos sejam atendidos pelo Governo da França. A decisão visa assegurar que o transporte será realizado com plena segurança para a equipe e os animais".

A decisão de levar os animais está sendo questionada por pesquisadores e especialistas de diversas entidades nacionais, que defendem a permanência e investimentos no Brasil. Os animais que embarcariam nesta primeira etapa são batizados como Netuno, Xuxa e Daniel e seguiriam em um avião-cargueiro fretado pelo governo francês, dentro de caixas feitas de madeira náutica e aço inox, com um colchão umedecido. São cinco horas de viagem até a ilha. Ao longo do trajeto, será borrifada água nos bichos. Uma segunda viagem deve ocorrer dentro de seis meses, para levar Sereia e Marbela.

Transferência

Quatro dos cinco animais são mais velhos, já reproduziram e têm diversos filhotes soltos no litoral brasileiro. Para evitar problemas de consanguinidade, eles estão separados para evitar que nasçam novos filhotes - que não podem ser soltos no mesmo local que os irmãos, de acordo com a coordenadora do CMA, Fábia Luna. Indo para Guadalupe, eles vão poder voltar a se reproduzir.


Animais vão ajudar no repovoamento das ilhas da América Central. (Foto: Luna Markman/G1)

A pesquisadora do CMA ressalta que até mesmo os protocolos utilizados para pesquisa nas Antilhas Francesas serão os brasileiros e que eles podem retornar ao Brasil assim que o país quiser. Ainda conforme a pesquisadora do CMA, a intenção inicial do governo francês era levar para o Caribe peixes-boi que circulam pelo litoral do estado do Amapá, no Norte do país, já que a partir do momento em que os animais cruzam o Rio Oiapoque, eles estão na Guiana Francesa. Com a ida dos animais brasileiros, o governo Francês não capturaria espécimes no Amapá.

Guadalupe é a maior ilha das Antilhas Francesa. Segundo a coordenação do CMA, estão sendo negociados empréstimos de animais de outros países da América Central.  Legalmente, não há problemas com a transferência, lembra o diretor-presidente do Fundação de Mamíferos Aquáticos, João Carlos Gomes Borges, uma vez que o Brasil é signatário da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES).

Críticas ao acordo

Entidades e pesquisadores criticam o acordo, defendendo que os peixes-boi deviam ser mantidos no Brasil. Borges questiona o acordo dos governos. Ele explica que as estimativas sobre a população brasileira de peixes-boi vão de 500 a 1.000 exemplares e defende que é prioritário investir no próprio país, ao invés de partir para um experimento de repovamento no Caribe.

Os pesquisadores que assinam o documento contra a transferência apontam que outras soluções podem ser encontradas no próprio país e a experiência que vai ser feita nas Antilhas Francesas devia ter estrutura para acontecer no Brasil. Para eles, a decisão de transferir cinco animais de uma população ainda ameaçada de extinção vai na contramão de outras decisões tomadas pelo governo.


Animais serão transportados dentro de caixas feitas de madeira náutica e aço inox, com um colchão umedecido. São cinco horas de viagem até o Caribe. Ao longo do trajeto, será borrifada água nos bichos (Foto: Luna Markman/G1)
 
 

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