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Animais em zoo grego em risco de morrer de fome PDF Imprimir E-mail
Noticias - ANIMAIS - MUNDO
17-Jul-2015
 
Jean-Jacques Lesueur é um francês que chegou à Grécia há mais de 45 anos e fundou o único jardim zoológico do país - YIANNIS KOURTOGLOU/ Reuters
Jean-Jacques Lesueur é um francês que chegou à Grécia há mais de 45 anos e fundou o único jardim zoológico do país - YIANNIS KOURTOGLOU/ Reuters
A comida está acabando no único jardim zoológico do país. O controle de capitais imposto há três semanas tem impedido a importação dos alimentos necessários. “É uma questão de vida ou morte”, assegura o dono

O peixe congelado para focas, golfinhos, pelicanos e pinguins está terminando. Mas não só. A comida no Attica Park, um jardim zoológico em Atenas, vai sendo cada vez menos e os armazéns não voltam a encher. Isto tudo porque os fornecedores internacionais, devido ao controle de capitais na Grécia, estão a exigir os pagamentos em adiantado.

Os vermes da Alemanha, o peixe congelado da Holanda e os aditivos especiais de França deixaram de chegar àquele que é o único zoo da Grécia. Em breve não haverá comida para os 2200 animais que ali vivem, colocando em causa a sua sobrevivência.

“Muitos dos animais precisam de uma dieta especial, que exige uma nutrição específica que só pode ser importada. No máximo em duas semanas vai tornar-se muito urgente conseguir mais alimentos. É uma questão de vida ou morte para os animais”, explica Jean-Jacques Lesueur, fundador do parque, citado pela Reuters.

No final de junho, a Grécia anunciou o apertado controlo de capitais e o encerramento dos bancos. Uma semana passou e os bancos continuaram de portas fechadas. A sete de julho, o telefone de Jean-Jacques Lesueur não parou de tocar. Grande parte dos seus fornecedores internacionais começaram a avisar que o pagamento teria de chegar primeiro e só depois as entregas seriam feitas.

Na altura, o dono do jardim zoológico conseguiu contornar o obstáculo e convenceu alguns fornecedores a abrir uma exceção. Agora já não há exceções. Com os bancos fechados, Lesueur não vai conseguir pagar a comida.

“Queremos pagar, mas não temos forma de o fazer. O país está bloqueado, não consigo ter dinheiro para enviar e os mantimentos congelados não vão durar muito mais”, disse o dono, citado pela Reuters. Já em desespero, Lesueur admite que chegou mesmo a dar aos rinocerontes, os aditivos que se destinam aos cavalos.

A prática de exigir o pagamento em adiantado está a tornar-se um procedimento comum nos negócios com as empresas gregas. Anteriormente, no caso do Attica Park as encomendas só eram pagas 60 dias depois de serem recebidas.

Sem comida e com a queda no número de visitantes, o futuro do Attica Park não parece sorridente. O jardim zoológico já se prepara para o aumento da taxa do IVA para 23% nos bilhetes, uma das medidas aprovadas para o terceiro resgate da Grécia, e que deverá afastar os visitantes que ainda restam.

Jean-Jacques Lesueur espera que reabertura dos bancos, na próxima segunda-feira, possibilite que os alimentos cheguem a tempo.
 
 

 
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