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Corridas de galgos fora de moda PDF Imprimir E-mail
Noticias - ANIMAIS - MUNDO
14-Jun-2016
 
Nos EUA, ainda morre um galgo a cada três dias, nas pistas de competição. A prática está contudo a desaparecer: a falta de interesse do público, especialmente entre as gerações mais novas, e a consequente diminuição da rentabilidade do negócio para os operadores colocam as corridas de galgos a caminho da extinção.


Rodrigo de Matos
O Canídromo de Macau pode até ser “a mais cruel pista de corridas de cães do mundo”, mas está longe de ser a única onde os galgos de corrida sofrem e chegam mesmo a perder a vida em nome da diversão e do lucro de alguns apostadores. Com cada vez menos assistência nos Estados Unidos, as pistas onde se apostam em corridas de cães estão a desaparecer progressivamente.

Na Florida, onde as corridas de cães são legais desde 1931, e onde, no seu pico, chegou a haver 60 canídromos a operar, a popularidade da modalidade tem vindo a cair. Ainda assim, naquele estado norte-americano morre hoje em média um cão a cada três dias numa pista de corridas.

A crueldade não se fica pela triste estatística relativa aos óbitos: “Os cães são mantidos em pequenas gaiolas às centenas e aos milhares”, atesta uma reportagem publicada recentemente pelo portal noticioso International Business Times (IBT).

Como numa penitenciária, apenas deixam as suas “celas” para esticar as pernas durante umas poucas horas por dia: “E, quando não morrem na pista ou não têm a sorte de ser adoptados, acabam por ser abatidos quando os seus proprietários fazem um cálculo incompreensível para os donos de animais de estimação: eles já não dão dinheiro”, escreve Clark Mindock, repórter do IBT.

Enquanto isso, em Macau, associações de protecção dos animais vão lutando pelo encerramento da única pista de corridas de galgos do território, hoje mundialmente famosa pelas piores razões. É o caso da Sociedade Protectora dos Animais de Macau (Anima): “Há hoje um movimento mundial, de que a Anima faz parte, para encerrar todas as pistas de corridas galgos do mundo. A luta não é só em Macau”, garante Albano Martins, presidente da Anima.

O hologalgo de Macau

As razões que fazem com que a pista do Canídromo de Macau seja considerada a mais mortífera do mundo e, como tal, mereça especial atanção, são várias. Desde logo, a alta taxa de acidentes em que os animais se vêm envolvidos: “Enquanto noutras pistas do mundo, a taxa de acidentes em corridas ronda os quatro a cinco por cento, em Macau é de 20 por cento de todos os animais”, compara o presidente da Anima. “Neste momento, morrem menos porque Macau não está a conseguir importar tantos cães, mas chegou a morrer nas corridas do Canídromo uma média de um galgo por dia”, sustenta o dirigente.

Números que pouco surpreendem se forem tidas em conta as condições da pista e a forma como os animais são aquartelados: “Tem péssimas condições, o chão é muito rígido, a pista é estreita e as protecções laterais são metálicas. Um cão quando se despista e embate contra a vedação fica todo ferido”, explica Albano Martins.

Além disso, observa o responsável, “em Macau não existe um programa de adopção para os animais que já não têm lugar na competição, como acontece nas outras pistas do mundo, que entregam montanhas de animais para adopção”.

Um negócio que deixou de ser rentável

Mesmo após décadas de activismo, os Estados Unidos da América – a par da Austrália e do Reino Unido – continuam a ser um dos maiores mercados para as corridas de cães. Mas é uma indústria que tem vindo a perder fulgor e parece ter os dias contados: “Não é popular”, explica Kate MacFall, directora para a Florida da associação Humane Society of the United States. “As pessoas já não vão [às corridas]. Custa mais dinheiro ao estado regulá-las do que ele consegue arrecadar em receitas fiscais. A maior parte dos jovens olham para ti como se fosses maluco se perguntares se eles já foram a uma corrida de galgos”, atesta a responsável.

Albano Martins concorda e acrescenta um outro prego no caixão das corridas de cães. Também já não são rentáveis para quem as opera: “É inegável que as pistas nos EUA têm vindo a fechar e que existe um lobby a lutar para bloquear a renovação das licenças. Mas um facto curioso é que já são os próprios donos da indústria que não querem aquilo para nada. Preferiam obter, em troca, uma licença para abrir um casino, que é muito mais rentável. Aquilo está a cair”, considera o presidente da Anima.

Mesmo em Macau, assinala o responsável, o fenómeno já é perceptível. “Não se deixem enganar. A empresa do Canídromo não quer as corridas de cães, o que eles querem, e para isso é que têm vindo a manter as corridas, é o terreno. A ideia não é manter os animais, que já não são rentáveis, mas sim o terreno, até conseguirem carta branca para o aproveitar de outra forma”, atesta Albano Martins.

Mesmo estando na eminência de desaparecer, de acordo com as associações de defesa dos direitos dos animais, as corridas de cães continuam a merecer toda a atenção dos activistas, que não desarmam nos protestos.

A Anima vai participar, em Outubro, numa conferência do movimento mundial pelo encerramento de todas as pistas de corridas de cães do mundo, avança o presidente da associação: “Vamos ser oradores, com uma intervenção de 15 minutos em que vamos expor a situação em Macau e na China”, remata o dirigente.

* Mantida a grafia lusitana original
 
 

 
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