A A A
Portugal: Campanha “Unchainmee” quer abolir os animais dos circos PDF Imprimir E-mail
Noticias - ANIMAIS - MUNDO
24-Jul-2015
 
Realizada por Teresa Ramos e protagonizada por atores portugueses, esta campanha mostra em doze filmes histórias de animais explorados no circo e posteriormente resgatados. Cidadãos pedem lei que regule setor.
 


“Lucky” passou quase toda a vida a ser treinada. Apesar de ser a figura aclamada em dois espetáculos por dia, não era feliz, mas não sabia que era uma escrava porque não conhecia outro mundo. As luzes fortes dos palcos ofuscaram-lhe a visão, acabando por ficar cega. “Will” não sabe como foi apanhado. O chicote e o fogo passaram a ser as constantes ferramentas de trabalho. Nos momentos de folga era encarcerado numa cela onde mal se mexia. “Kira” não teve escolha. Dava lucro e era forçada a trabalhar. Até quando não lhe batiam achava que tinha feito alguma coisa errada.

“Lucky”, “Will” e “Kira” são animais, um elefante, um leão e uma cadela. Mas esta narrativa podia bem ser sobre humanos. É essa “raiz do problema” que a realizadora Teresa Ramos quis envolver nos 12 filmes da campanha pela abolição de animais no circo Unchainmee: “É errado. Ponto. Independentemente do sujeito, a tortura, a exploração e a diversão à conta de outro, são erradas”.

A grande causa de Teresa Ramos são os direitos, quer sejam humanos ou animais. Nos seus trabalhos, a realizadora já promoveu parcerias com associações de defesa dos animais, como a “Animal”, como se descobrem materiais feitos para o Centro de Apoio ao Sem-Abrigo (“CASA”). Contudo, foi por estar atenta à realidade animal que se apercebeu de uma lacuna na proteção deles. “Foi aprovada a lei que criminaliza os maus tratos a animais de companhia. Mas ficaram de fora as touradas e os animais de circo. A luta contra as touradas tem sido grande, mas parecia-me que os animais de circo estavam algo esquecidos”, afirmou a realizadora em declarações ao P3.

Na campanha “Unchainmee”, descrita em 12 curtos filmes, são contadas histórias verídicas de animais, selvagens e de companhia, que depois de uma vida de exploração e maus-tratos no circo foram libertados. Os textos, escritos pela própria realizadora, tiveram como base notícias e artigos online. Atores Rita Blanco, Adriano Luz, Maria João Luís, João Lagarto, Carla Bolito, Filipe Duarte, Ana Brandão, Ruben Alves, Mitó Mendes, Marcello Urgeghe, Manuela Couto e Diogo Amaral, deram voz às histórias, onde cada um interpreta um animal explorado num circo e já resgatado entretanto, tendo alguns casos, como inspiração vídeos de resgate do circo ou da vida pós-circo. Nomeadamente o leão “Will”, que pisou a relva pela primeira vez depois de 13 anos de encarceramento, “Pepe”, um macaco resgatado que descobre a felicidade quando encontra a macaca “Valery”, ou “Shirley”, que depois de 23 anos encontra e reconhece imediatamente a ex-companheira de circo “Jenny”.

“O que defendemos é a abolição da utilização de animais nos circos. Fazem-se regulamentos e reformas, mas elas não servem os direitos dos animas. Enquanto houver animais nos circos isto continua errado”, defende a criadora da campanha, que conta o apoio da Fundação José Saramago, autor que sempre defendeu os direitos dos animais.

Teresa Ramos e os atores afirmam-se como “admiradores do circo enquanto arte e espetáculo com humanos”, contudo consideram “inaceitável que animais de tantas espécies continuem a ser encarcerados e forçados a atuar nos circos”.

O décimo vídeo foi divulgado ontem, dia 23. Na próxima semana serão revelados os dois restantes, interpretados por Marcello Urgeghe e Rita Blanco. Para já, a campanha está confinada ao online, com uma aposta na divulgação a partir das redes sociais (Facebook, Twitter, Google+), mas preveem-se novas parcerias a serem fechadas para divulgação noutras plataformas.

Com um objetivo de alcance além-fronteiras, a realizadora tem já acertada a gravação dos mesmos 12 depoimentos em Espanha, em França e nos Estados Unidos da América, com atores locais. Está previsto, ainda, a possibilidade de o fazer no Brasil, apesar de ser um país onde a utilização de animais no circo já está proibida por lei. “Continua a fazer sentido, porque esta é uma defesa e um conceito global, pelo qual nos devemos juntar uns pelos outros”.

Os animais aprisionados nos circos apresentam uma série de comportamentos “muito bem documentados por médicos veterinários e biólogos especializados em etologia”, como movimentos repetitivos, as estereotipias e a coprofragia, que “demonstram bem a vida de escravidão a que são forçados”, lê-se no texto de apresentação da campanha.

Em Portugal, a lei proíbe somente a reprodução de espécies selvagens. O que, ainda assim, não é cumprido, assegura o grupo de cidadãos que se associou a esta campanha. “Na altura do Natal (época mais forte dos circos), continua a ser comum ver os circos apresentarem leões e tigres bebés, para oportunidades fotográficas com espetadores, quando isso é ilegal”. Na ausência de uma lei específica, a regulamentação da utilização fica a cargo das câmaras municipais. “Tem havido avanços e câmaras como Évora e Funchal recentemente proibiram os animais nos circos. Mas o que queremos é que exista uma lei”.

Gazeta do Rossio

Fonte: P3
 
 

 
< Anterior   Próximo >

Gostou? Compartilhe em sua rede social.

Escolha o Idioma

Veja também

Nossas Lutas
Aconteceu
Utilidade
Direito Animal
Cyberativismo
Textos
Fatos Reais
Websites e Blogs
Curiosidades
Galeria

Anunciantes

J_Adore_Mes_Amis_Le_Bidou
 
 
Roberto Roperto - Pizzas Vegetarianas
Nova pagina 1

Mantenha-se atualizado

Escolha como deseja se comunicar conosco ou receber as nossas notícias e informações. Estamos no Facebook, pode ser também pelo RSS FEED clicando ao lado direito, pelo TWITTER, no nosso BLOG ou então pelo nosso Grupo no YAHOO. Quer assistir alguns vídeos interessantes, acesse o nosso Canal no YouTube. Não será por falta de opções que você ficará desinformado. Não é mesmo?

Direitos Reservados - Tribuna Animal